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kate moss para a campanha de inverno/2009 da forum


E parece que as novas holdings, que cada vez mais dominam o mundo da moda brasileira, não param de causar polêmica. Depois da venda-não-venda das marcas de Alexandre Herchcovitch, do forçado desligamento de Fause Haten e Marcelo Sommer das marcas que levam seus nomes – entre tantos outros escândalos – agora foi Tufi Duek quem levou o cheque-mate fashion.

Em 2008, Tufi havia vendido suas marcas [Tufi Duek, Forum Tufi Duek, Forum e Triton] para o grupo catarinense AMC Têxtil – aquele que adquiriu a Sommer e a Carmelitas, e também detentora da Colcci -, e naturalmente manteve-se como seu diretor criativo, como acontece na maioria dos casos de transação dessa natureza. O contrato com a holding previa sua permanência no cargo por três anos, podendo este ser renovável ou não. No entanto, diante de divergências na conduta das marcas, Tufi decidiu deixar o comando.

A aglutinação de pequenas marcas em grandes conglomerados dirigidos por grupos financeiros é uma tendência que se vê desde as últimas décadas do século XX. A maioria das grandes grifes do mundo fazem parte de holdings internacionais, como as gigantes LVMH [Louis Vuitton, Christian Dior, Kenzo, Givenchy, Donna Karan] e a PPR [Gucci, Yves Saint Laurent, Balenciaga, Puma]. E se, mesmo após a compra e a renovação da direção criativa por parte dos empresários, ainda podemos detectar o DNA dos verdadeiros criadores das marcas nas coleções atuais, não é possível observar o mesmo fenômeno no Brasil. O caso mais emblemático é justamente o da Sommer: após a demissão de Marcelo da criação, a AMC desviou completamente o foco da grife, originalmente reconhecida de longe por sua linguagem lúdica, ousada e irreverente, tornando-a mais uma marca de streetwear sem identidade definida. 

Assim, aparentemente Tufi tem razão: há uma clara divergência entre as propostas do investidor e do criador – obviamente o primeiro quer vender, e o segundo, criar. E se no caso das holdings européias esses dois verbos são brilhantemente conjugados, tal barreira mostra-se intransponível por aqui diante da falta de cultura de moda do brasileiro padrão e sua recusa em abordá-la com a devida seriedade. Tida como um produto para a elite, a moda brasileira parece ser feita e consumida apenas pelos iniciados, por aqueles que compreendem os códigos do vestir. Dessa forma, entende-se que uma moda estupidamente comercial – como aquela feita pela Colcci, e muito mais adequada ao [baixo] senso estético da classe média – torna-se muito mais lucrativa do que peças mais elaboradas, pesquisadas e com conceitos embutidos. Uma lástima observar a ascensão de marcas vulgares – porém rentáveis – em detrimento de nomes tão relevantes para a moda brasileira.


Já é quase um chavão dizer que hoje as pessoas buscam uma “beleza real”, aquela mesma que as propagandas do sabonete Dove se propuseram a divulgar amplamente durante os últimos anos. Paralelamente a esse movimento, um curioso gosto por uma estética tosca, amadora e aparentemente inacabada tem sido cada vez mais observado pelo mundo: o sucesso dos vídeos de baixíssimas resolução e qualidade do Youtube, das campanhas publicitárias – principalmente de moda – que parecem ter sido fotografadas com a câmera do celular no quintal de casa, das imagens com flashes estourados, tudo parece indicar que estamos caminhando rumo a uma nova linguagem visual, linguagem esta menos irreal e mais próxima do cotidiano do interlocutor.

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Na verdade, o ponto nevrálgico da questão está justamente no advento do Photoshop e as transformações por ele causadas. O manuseio e retoques de imagens é uma técnica existente desde os primórdios do trabalho de fotografia. No entanto, foi com a digitalização destes processos por meio do revolucionário software que ela foi amplamente difundida, até mesmo para uso doméstico; hoje, qualquer falha ou imperfeição pode ser corrigida com o computador de casa. Assim, gradativamente os tratamentos profissionais foram sendo banalizados, culminando em fotos de celebridades com o “antes” e o “depois” de intervenções digitais sendo divulgados em massa via internet (acima, exemplo da Madonna em foto para o álbum Hard Candy). Diante desse quadro, a identificação por parte do público também sofreu mudanças: certas imagens que costumavam despertavam admiração e uma ponta de inveja, agora já não causam nenhuma reação além da suspeita (ou certeza) de uso do programa. É lindo, é perfeito, é liso, mas certamente irreal.

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A reação por parte das publicações do meio já são visíveis. Após o boom das fotografias que exaltavam o mundo digital contemporâneo, o high-tech, a perfeição do corpo e da pele, agora pouco a pouco se revela um desejo de resgatar vestígios humanos, seja por meio de ilustrações handmade, seja por uma apresentação menos plastificada dos modelos. Nesse sentido, a edição de maio da Elle francesa chega mais do que ousada: oito famosas atrizes e modelos da década de 90 – logo, hoje na casa dos trinta e tantos anos -, como Eva Herzigova, Sophie Marceau e Monica Belucci (acima) estampam uma série de capas, fotografadas por Peter Lindbergh, sem nenhum tratamento e com maquiagens muito sutis. Ali, pequenas imperfeições faciais naturalmente denunciam suas idades, mas fica inquestionável a perenidade da beleza dessas mulheres. Tal fato ocorrer numa conceituadíssima publicação do meio da moda/beleza parece um prenúncio de um grande passo em direção a uma resignificação do padrão de beleza vigente. 


novos talentos

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Justamente quando os mais catastrofistas musicais já estavam decretando a sua falência, o Franz Ferdinand lança seu terceiro álbum, Tonight, agora no começo do ano. Desde 2005 – ano de lançamento do You Could Have It So Much Better - sem novidades, a banda escocesa traz de volta seu som essencialmente rocker, mas agora com pegada clubber, obtida por meio de maior uso de sintetizadores. “É música para a noite”, classifica Alex Kapranos sobre o novo trabalho. 

E daí que agora a banda sai em turnê mundial após repaginar o seu figurino, que dessa vez leva a assinatura do dinamarquês Christian Westphal. A escolha é bastante interessante, considerando que o estilista em questão é relativamente desconhecido no mundo – da moda ou da música. Ou seja, ao invés de usarem marcas consagradas, os sempre impecavelmente vestidos integrantes da banda de indie rock (que de indie já não tem mais nada, tamanho seu sucesso e alcance no mainstream) preferiram aproveitar sua fama e influência visual para promover um estilista cujos trabalhos, baseados em novas linguagens de alfaiataria, são esteticamente afins ao grupo.

 

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Cabe aqui lembrar que decisão semelhante tem tomado a naturalmente low-profiler Michelle Obama: ainda mesmo durante a candidatura de seu marido, a hoje primeira-dama já era fortemente assediada pelas mais tradicionais grifes dos Estados Unidos, que, conscientes do poder e da influência de sua figura, contavam com suas aparições públicas delineadas com sua aura de elegância e inteligência como uma forte e eficaz forma de propaganda da moda americana, como acontecia com Hillary durante a presidência de Clinton – e hoje ocorre com Carla Bruni ao vestir as francesíssimas Dior, Chanel e Hermès. No entanto, Michelle preferiu continuar usando peças de marcas conterrâneas menos famosas, como Maria Pinto e Jason Wu, o que obviamente acabou por alavancar as suas carreiras, ajudando a divulgar novos talentos da indústria da moda.

Num mundo onde as pessoas parecem estar constantemente aguardando por novidades e revoluções, o fato de personalidades e figuras públicas ajudarem na promoção de estilistas e marcas pouco consolidados no mercado acaba preenchendo lacunas deixadas pelas semanas de moda e revistas do gênero.


Tempos de crise são momentos em que desaparecem as sutilezas, as nuances que definem uma identidade, uma linguagem, uma estética, e o mundo assiste a uma polarização. No caso das artes visuais, como as plásticas, o cinema, e até mesmo a moda, verifica-se, de um lado, a constatação da realidade e, do outro, um escapismo lúdico, quase delirante. Esse fenômeno foi observado em quase todas as grandes crises pelas quais o mundo passou até hoje e, passada agora a temporada internacional de desfiles das coleções de inverno/2010 de prêt-à-porter, pudemos constatar que, ao que tudo indica, estamos novamente trilhando por este caminho.

 

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DOLCE & GABBANA

 

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MARNI

 

Em Milão, o requinte tipicamente italiano parece continuar sendo prioritário para grande parte das marcas: a Dolce&Gabbana com seu luxo lisérgico, a rebuscada Marni e suas peles, seus jacquards bordados e metalizados são bons exemplos de desfiles que, mais do que propor uma moda escapista, jogaram nas passarelas mulheres exuberantes e destemidas, que parecem ser suficientemente poderosas para atropelar de frente qualquer oscilação econômica.

 

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DIANE VON FURSTENBERG

 

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CALVIN KLEIN

 

No caso dos desfiles da Semana de Moda de Nova York, por outro lado, a posse de Barack Obama parece estabelecer um contraponto à recessão. Dessa forma, as coleções eram relativamente otimistas, mas o inevitável receio da crise acabou definindo uma linguagem mais reticente e mais comercial, resultando, em alguns casos, em imagens ligeiramente confusas, como as de Diane von Furstenberg.Em outros, como na Calvin Klein, propostas de maior facilidade de assimilação associadas a um trabalho coeso e bem-acabado garantiram o despertar de desejos de consumo imediatos do público.

 

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CHRISTIAN DIOR

 

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LOUIS VUITTON

 

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CHANEL

 

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LANVIN

 

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STELLA MCCARTNEY

 

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YVES SAINT LAURENT

 

Porém foi em Paris, a grande capital da moda, é que a austeridade oriunda do atual momento foi mais significativa: rejeitando o luxo exibicionista e complicadas experimentações, as grifes francesas apostaram na qualidade material associada a uma distinta elegância. Apesar da “miragem feliz de outra época“, como bem colocou Alcino Leite Neto na sua coluna Última Moda, da Folha de São Paulo, sobre a sempre maximalista Christian Dior (mas também válida para a Louis Vuitton), construções de alfaiataria nos atemporais pretos, cinzas e padrões clássicos como risca-de-giz predominaram nas coleções. A Chanel se destacou justamente pelo rigor de suas peças, mas que ainda mantinham a sofisticação, marca de seu DNA. Já Alber Elbaz fez questão de frisar que desenvolveu para a Lanvin uma coleção realista, que atendesse às necesssidades da mulher, mesmo no momento de crise; ou seja, alfaiatarias lisas e sóbrias para enfrentar o dia-a-dia invernal, em paralelo aos brilhos, peles e luvas para as ocasiões especiais, mas tudo com a devida parcimônia. A Stella McCartney manteve sua proposta de alfaiataria oversized com longas lapelas para a coleção de verão/2009, mas dessa vez fez um bonito jogo de contrastes, com delicados vestidos-anagua usados por baixo. Stefano Pilatti, por sua vez, apresentou para a Yves Saint Laurent sofisticadas modelagens baseadas no guarda-roupas masculino, mas que resultaram numa imagem bastante feminina. Feminina, mas definitivamente forte e poderosa, como pede a nova ordem.


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Notável caso de relação duradoura no meio da moda, a parceria entre Miuccia Prada e Rem Koolhaas continua gerando frutos. Depois de reformular quase todas as lojas da grife italiana pelo mundo, o arquiteto holandês prepara-se para inaugurar agora em abril a Prada Transformer: instalada na cidade de Seoul, trata-se de um projeto de caráter temporário que abrigará desfiles, exposições e exibições de filmes, promovendo não só a marca que batiza a construção, mas também a cultura coreana e suas expressões artísticas na contemporaneidade.

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O mais curioso, no entanto, é a sua volumetria, nada convencional: de forma tetraédrica na qual suas faces são compostas por círculo, retângulo, hexágono e cruz, o projeto prevê que o volume seja rotacionado conforme o andamento do calendário cultural. Assim, dependendo do programa, o piso vira parede, a parede vira teto, e o teto vira outra parede. É um partido instigante, pois apesar de sua discutível estética, não deixa de ser uma proposta bastante singular e inovadora acerca de espaços multiuso, assunto este amplamente discutido no meio arquitetônico atualmente.

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Outro fruto da dupla é o lookbook (acima) da coleção de verão/2009 da grife, que acaba de chegar às lojas. Deixando de lado a arquitetura para assumir a direção de arte do catálogo, Koolhaas propôs a fusão de bustos greco-romanos aos corpos dos modelos no Photoshop. A imagem final, diante do uso de um ícone da beleza clássica, parece ironizar a atual ditadura da perfeição, e o resultado é, no mínimo, intrigante (para não dizer quase horroroso).

Todavia, apesar da estética duvidosa, tanto o Transformer como o lookbook adotam linguagens bastante pertinentes ao universo da Prada. Seus desfiles, por exemplo, nunca são óbvios nem despertam desejos instantâneos; causam sempre um estranhamento inicial, looks que mais parecem códigos a serem decifrados e, por consequência, geram reflexões. Particularmente, acredito que esse tipo de apresentação é muito mais interessante do que “mais uma coleção maravilhosa” e, diante da ansiosa espera do público pelo próximo trabalho de Miuccia, verifico que muitos compartilham essa mesma opinião.


neogrunge

20Mar09

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O papo da roda era sobre a atual saturação da estética new-waver dos anos 80, seja na música, seja na moda. Daí que um amigo zero-fashionista lança, em tom profético, que “o próximo revival será do grunge”. Tendo em mente a capa da Vogue Brasil de março (que ainda estava para ser lançada) e também tudo aquilo que havia anotado na reunião de temporada com a Costanza Pascolato, imediatamente respondi “mas o grunge já está de volta”. E não apontei isso por conta da capa com a Agyness Deyn, apenas. Na verdade, esse mood do grunge já vinha dando as caras nas últimas temporadas, como nas coleções de Alexander Wang (abaixo), ou na figura de Erin Wasson, constantemente flagrada vestindo trajes claramente inspirados no estilo musical nascido em Seattle.

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O grunge, que surgiu no final da década de 80 em meio à recessão global, agrupava bandas de produção independente que tocavam letras recheadas de angústia, revolta e crítica, apontando a sociedade de consumo diante do contexto de crise. Soa contemporâneo? Pois bem, observa-se então que não gratuitamente que o grunge volta à moda. Considerando que não se trata apenas de uma vertente musical ou de um estilo de moda, mas também uma postura politico-social, nada mais natural o seu retorno nesses tempos de pessimismo coletivo.

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No entanto, a manifestação do neogrunge não é tão literal como na Vogue ou nas coleções de Wang, com jeans claríssimos e detonados, flanelas xadrez, meias desfiadas e coturnos, compondo um look quase caricato, mas principalmente como conceito. Se na década de 90 as bandas eram classificadas como grunge não por semelhança sonora, mas pela afinidade temática e comportamental, pode-se encarar as atuais manifestações de moda de forma semelhante: num olhar mais aprofundado (sem querer parecer pretensioso) sobre as atuais tendências do mix and match e do street de luxo, enxerga-se a influência do grunge. Apesar do resultado final ser bastante glamouroso, o mix and match - representado mais fortemente na penúltima coleção Africa-chic da Louis Vuitton (acima) – nada mais é do que sobreposição de diversas peças pequenas e soltas, misturando itens caros e exclusivos com outros populares (o nosso bom e velho high&lo repaginado).

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Daí que o próprio diretor criativo da Louis Vuitton bebeu na fonte das sobreposições de pegada street para criar a coleção de inverno/2010 de sua segunda linha, Marc by Marc Jacobs (acima). Recheando-a de peças básicas e atemporais em cores vivas, como tricots sob paletós e cachecóis com coturnos nos pés, Marc evoca uma estética grunge mais alegre, mais otimista. Dessa forma, ele parece querer dizer que, mesmo em tempos bicudos, com truques de styling é possível continuar divertindo-se com a moda. 


video fashion

05Mar09

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Entrando na onda das video-apresentações, o estilista inglês Gareth Pugh que, com sua visão de moda bastante particular, era um dos destaques da nova geração de Londres, mostrou sua coleção de inverno/2010 neste formato na Semana de Moda de Paris, que acaba de começar. De atmosfera gótica e sombria, porém inegavelmente glamourosa, o vídeo foi produzido pelo ShowStudio, sob direção do fotógrafo Nick Knight.

Com looks monocromáticos em preto, é uma coleção que valoriza as texturas e explora materiais diversos. A surpresa é que, nadando contra a maré oitentista, ele propõe uma silhueta “A”, com as partes de cima secas, e as de baixo bastante amplas, como nas pantalonas e saias godê. Luvas compridas, transparências e botas envernizadas de canos altíssimos com saltos absurdos dão o tom fetichista ao desfile – ou melhor, ao vídeo.

Para conferir o resultado desse trabalho, clique aqui.


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Depois do revival do sapato Oxford nas mais diferentes releituras, agora é a hora e a vez dos docksides. O clássico mocassim, que foi febre nos anos 80 entre gente de todas as idades, já vinha ensaiando uma volta há algumas estações, mas nesta temporada ele está sendo amplamente visto nos pés dos modernos das principais capitais da moda.

A Maria Garcia, segunda marca da Huis Clos, tinha apresentado no ano passado versões femininas e delicadíssimas (como a coleção) em rosa-claro ou cinza e azul para seu verão/2009. Já a Lanvin lançou dois modelos masculinos (acima, à direita e no meio), um em couro caramelo e outro em cetim marinho-quase-preto. A multimarcas francesa Colette rapidamente passou a vender um modelo exclusivo desenvolvido pelo coletivo La MJC, em couro roxo com verniz preto.

Ou seja, esqueça a caretice dos modelos tipo Samello 1990, que há tempos foram arremessados ao limbo da moda; os docksides de agora têm cores renovadas e materiais sofisticados (como os modelos abaixo, da marca de fast-fashion American Pie), prontos para serem usados em qualquer ocasião por homens e mulheres. Tudo é uma questão de produção!

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03Mar09

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Os móbiles de Alexander Calder são reconhecíveis de longe. Simples, leves e literalmente equilibrados, eles fizeram a fama do artista americano que revolucionou o conceito de escultura que, até então, era compreendida como uma arte estática, apenas. Seus movimentos permitiam que cada peça reagisse ao vento de determinada forma, criando inúmeras possibilidades visuais. Marcel Duchamp chegou a comparar sua arte à “sublimação de uma árvore ao vento”.

No entanto, o que nem todos sabem é que Calder também chegou a trabalhar com joalheria. Na verdade, suas peças são verdadeiras esculturas que pousam sobre o corpo, não apenas pela qualidade, mas também pelas dimensões. Utilizando materiais diversos como ouro, prata, cerâmica e madeira, o artista desenhou braceletes, colares, brincos, broches e tiaras que pouco se assemelham visualmente aos seus singelos móbiles, mas que mantêm a ideia de movimento e ritmo visual que caracterizaram sua produção.

Agora, se alguém com uma mente muito imaginativa já estava pensando em adquirir uma mega-joia Calder para entrar na moda das maxibijoux, esqueça. As peças, que totalizam 2000 unidades, foram criadas como presentes para amigos do artista, e jamais foram comercializadas. A única chance de vê-las reunidas seria na exposição no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, mas que também já era, pois a pessoa que aqui vos escreve redigiu este post um dia após o fim da mostra.

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É fato que o mundo se encontra no meio da maior crise econômica das últimas décadas, e isso desencadeia reflexos na moda. Mas também é verdade que ninguém mais aguenta a tal da “estética da crise”, adotada por nove entre dez estilistas (brasileiros e internacionais): a (quase) saturação de cores neutras em releituras de clássicos da alfaiataria e tudo mais. E aí que, no decorrer das semanas de moda, uma crítica comum a diversos veículos era relativa à falta de criatividade apresentada na maioria das passarelas, o que definitivamente não pode simplesmente ser justificada com o atual contexto econômico.

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No meio desse impasse, começou na semana passada a temporada de inverno/2010 das coleções de prêt-à-porter com a Semana de Moda de Nova York. E eis então que Francisco Costa parece responder à crítica acima com uma brilhante coleção para a Calvin Klein: ainda que contando com uma cartela de cores composta por pretos e grafites, ele mostrou um desfile de impecáveis modelagens de alfaiataria descontruída e assimétrica. Utilizando diversos materiais que compunham um elegante patchwork, ele desenvolveu um interessante trabalho baseado em texturas, como o vestido acima, inteiramente recortado/perfurado, criando efeito de renda high-tech, tema este também explorado no casaco ao lado, de shape sutilmente futurista.

Ou seja, Costa não se apóia na oportuna onda da alfaiataria preto-e-cinza – um clássico da Calvin Klein – para conceber sua coleção; pelo contrário, aciona mais elementos decorativos que o usual da marca (essencialmente minimalista), provando que é possível se apropriar da “estética da crise” com frescor e originalidade, sem a monotonia que tem imperado nas passarelas nos últimos tempos. Monotonia, só se for de ver que, pela enésima vez, ele acertou em cheio.